Já pensou em ser professor federal?
- Wagner Soares de Lima
- 2 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 6 de dez. de 2025
O MEC anunciou várias vagas em Institutos Federais, e talvez esta seja a sua hora.

Um pouco da minha história de concursos
Há momentos da vida em que a gente precisa olhar para a própria trajetória com um pouco mais de calma, porque é ali, no que parecia falha, acidente ou acaso, que às vezes está escondida a porta de entrada para a carreira que muda tudo. Aos 18 anos, quando chegou minha vez de escolher um futuro, eu fiz o que muitos meninos da minha geração faziam: tentei a Academia de Polícia Militar. Não fui para Direito, Engenharia ou Biologia. Fui direto para o concurso da Segurança Pública, acreditando que ali havia disciplina, estabilidade e propósito.
Passei na prova escrita, mas não passei no teste de aptidão física. Para quem nunca viveu isso, parece detalhe técnico; para quem viveu, sabe que é uma pancada. Concursos como esse têm múltiplas etapas, e o fracasso físico derruba todo o resto. Perder o TAF é perder o futuro que você imaginava. Guarde essa informação com carinho, porque para ser professor federal efetivo, você vai passar no mínimo por 3 etapas de concurso.
Mais tarde, quando pude ir para um concurso sem as incertezas das ações judiciais: virei TAE, técnico administrativo em educação, na Universidade Federal de Pernambuco. É importante explicar isso, porque pouca gente sabe o que é ser TAE. Tem TAE que é pedagogo ou especialista em educação, do cargo de técnico em assuntos educacionais. Mas na Educação Federal, existem TAEs de todas as formações: psicólogos, assistente sociais, engenheiros, administradores, contadores.
Eu, por exemplo, era técnico em assuntos educacionais, vindo de Segurança Pública, trabalhando na segurança universitária dentro do campus do Recife. Ali comecei a entender as engrenagens internas da Educação Federal: toda parte de Direito Administrativo, que rege a vida de entidades públicas; a estrutura universitária; os jogos administrativos; as disputas por cargos; a lógica de progressão e de governança; a vida do servidor federal comum.
Quando finalmente me tornei professor de Instituto Federal
Mas foi só quando me tornei professor EBTT (Educação Básica, Técnica e Tecnológica) no Instituto Federal que entendi o quanto essa carreira é diferente de tudo que eu tinha visto. A Rede Federal tem uma marca peculiar: você ensina no Ensino Médio técnico, no superior, participa de pesquisa aplicada, extensão, inovação, gestão e acompanha transformações reais na vida de jovens e adultos.
É uma carreira estruturada pela mesma Lei 12.772, mas distinta do Magistério Superior (aquela dos professores das Universidades Federais), e com uma missão que atravessa território, ciência, inclusão e tecnologia. E talvez seja por isso que tanta gente se surpreende quando descobre que, ao contrário das universidades federais, onde normalmente só entra quem já é doutor, nos Institutos é absolutamente comum iniciar a carreira como mestre. Em algumas áreas, até como especialista.
Isso muda completamente o jogo para dois perfis que estão me lendo agora. O primeiro é o bacharel que trabalha há cinco, seis anos sem renda estável, o engenheiro que não encontrou clientes, o biomédico que vive de contratos temporários, o administrador que estuda mais do que os colegas mas não vê isso se converter em carreira. O segundo é o licenciado que já conhece a dureza da rede estadual e municipal: salário baixo, carga horária estourada, turmas lotadas e um sentimento permanente de desvalorização. Eu digo a vocês, sem rodeios: se é para sofrer, sofra ganhando o dobro. A carreira EBTT tem condições de trabalho muito melhores, e dá ao docente uma estrutura que permite construir um caminho longo e digno.
Um pouco sobre o concurso docente e a carreira
Mas antes de pensar no salário, é importante entender como funciona o concurso. Muita gente imagina que concurso docente é igual aos concursos tradicionais. Não é. Aqui você tem três provas, todas importantes:
Prova escrita (objetiva ou discursiva, dependendo da banca)
Prova de títulos (um quadro de pontuações bem meticuloso que pouca gente sabe ler, o tal barema)
Prova didática (uma aula de verdade, com objetivos, tempo cronometrado e metodologia clara)
Se você nunca treinou didática, não tem problema: isso se aprende. Se você nunca teve que transformar experiência profissional em pontuação de títulos, também não tem problema: o barema mostra exatamente o que vale, só não pode deixar para última hora. Mas é preciso entender o jogo. Cada Instituto Federal tem prioridades próprias: alguns valorizam publicações acadêmicas; outros, experiência docente; outros, experiência profissional na área do cargo. Tudo isso está descrito no edital, só que em linguagem técnica. A ideia desta série é justamente destrinchar isso. Lembra que eu falei da minha experiência negativa com o teste físico da polícia? Então, depois que passa na primeira prova, uma super peneira, não tem mais tempo de treinar o suficiente ou emagrecer. Tinha que ter pensado antes. A mesma coisa é com a prova de títulos, precisa deixar seu currículo todo certinho antes.
Outro ponto que pouca gente comenta é que o concurso não é só sobre entrar. A carreira em si tem possibilidades que quase ninguém no Brasil sabe explicar direito. Existe algo chamado RSC, o Reconhecimento de Saberes e Competências, que permite ao professor, depois de um período, solicitar remuneração equivalente ao nível imediatamente superior ao seu título. Em termos simples: graduado pode ganhar como especialista; especialista pode ganhar como mestre; mestre pode ganhar como doutor. Isso é uma particularidade preciosa da carreira EBTT. Há também os programas DINTER e MINTER, parcerias em que uma universidade de referência monta uma turma especial de mestrado ou doutorado para os servidores de um Instituto Federal, com deslocamentos, orientações, disciplinas práticas e toda a vivência acadêmica, mas em um modelo de cooperação interinstitucional que facilita muito a vida de quem está distante dos grandes centros.
Tudo isso: provas, baremas, caminhos de formação, interiorização, progressão, afastamento para estudos, RSC, diferenças entre EBTT e Magistério Superior; vai ser destrinchado ao longo dos próximos textos.
Esta série terá duas trilhas:
1. uma focada na preparação para o concurso,
2. outra focada na realidade da carreira.
Uma te ajuda a entrar; a outra te ajuda a entender por que vale a pena ficar.
Se você está pensando em seguir esse caminho, acompanhe os próximos capítulos. Meu papel aqui é compartilhar o que aprendi vivendo essa carreira por dentro. Às vezes o que falta é alguém que diga com clareza: “Vai por aqui. É possível. É digno. Vamos estudar.”
Trilhas da Série Professor de Instituto Federal
Trilha 1 - O caminho da aprovação para o concurso de professor de Instituto Federal
Esta trilha apresenta uma visão clara e objetiva do processo de seleção para o cargo de professor EBTT, explicando com maturidade o que realmente pesa na aprovação. O leitor encontrará orientações diretas sobre prova escrita, títulos, prova didática, legislação específica e organização do estudo, sempre com foco estratégico, realista e motivacional. O objetivo é tirar o candidato do improviso, dar previsibilidade ao processo e mostrar como estudar de forma inteligente, consistente e alinhada às exigências reais das bancas.
Trilha 2 - O que ninguém lhe conta sobre a vida de professor nos Institutos Federais
Esta trilha mostra os bastidores da carreira EBTT, revelando sua lógica interna, suas possibilidades de crescimento e os desafios do cotidiano institucional. O leitor encontrará explicações sobre progressão, titulação, pesquisa, extensão, vida no interior, política interna, rotinas pedagógicas e probatório, tudo com sinceridade e profundidade prática. O objetivo é preparar emocional e profissionalmente quem deseja ingressar na carreira, mostrando como ela realmente funciona por dentro e como aproveitar ao máximo suas oportunidades.

