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Wagner Soares de Lima

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Reflexões sobre trabalho, vocação, instituições, afetos e as travessias invisíveis que moldam quem somos. Aqui, escrevo com escuta, compartilho ideias com alma e transformo vivências em pensamento — para quem busca sentido, recomeço ou apenas companhia lúcida no caminho.

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Prova Escrita: como acertar o conteúdo, organizar estudo e dominar o perfil da banca

  • Foto do escritor: Wagner Soares de Lima
    Wagner Soares de Lima
  • 27 de jan.
  • 6 min de leitura

 

Este é o Texto 02 da Trilha 1 - O caminho da aprovação para o concurso de professor de Instituto Federal [Voltar ao Índice da Trilha]

 

 

Se você chegou até aqui, já entendeu que a prova escrita é só uma parte da engrenagem do concurso EBTT. Mas é uma parte importante. Não adianta romantizar: você precisa acertar questões. Você precisa mostrar que domina o conteúdo da sua área. E você precisa estudar com método. Mas o erro clássico do iniciante é achar que estudar para concurso docente e em especial para professor federal é igual a estudar para concursos administrativos. Não é. Quem tenta fazer um “resumo da internet”, baixar PDFs aleatórios e assistir “aulões” de véspera descobre rápido que o jogo aqui é outro.

 

A escrita do EBTT tem duas naturezas: ela pode ser objetiva ou discursiva. E isso muda tudo.



Natrueza da Prova Escrita sendo Objetiva

Quando é objetiva, você enfrenta um conjunto de questões que exige conhecimento puro da sua área. Não é decoreba. É domínio. Quando é discursiva, geralmente há um tema que precisa ser desenvolvido com estrutura, clareza e profundidade. E aqui vem a parte que dói: a banca costuma escolher temas que separam quem estuda de quem improvisa. Não se surpreenda se aparecer aquela subárea que metade dos profissionais nunca deu bola na faculdade. É proposital. É para medir profundidade.


O segredo não está em estudar tudo; está em estudar certo. No concurso docente, as bancas sabem que o mercado técnico é vasto e especializado, então não esperam que você saiba absolutamente tudo. Esperam consistência. Esperam que você domine os fundamentos da sua área e tenha clareza de raciocínio. E esperam que você reconheça que existe uma legislação que estrutura a educação federal. Sim, até você, bacharel que nunca pisou numa disciplina de Didática I. Quanto mais cedo você aceitar que vai ter que aprender um mínimo sobre a educação no contexto brasileiro, melhor. Aqui não dá para fugir da LDB. Não dá para fingir que a Lei n.º 11.892 não existe. E não dá para tapar os olhos para a Lei n.° 12.772, que, por mais árida que pareça, é o coração da carreira.

 

A preparação para a prova escrita começa por um diagnóstico honesto. Você sabe sua própria área? De verdade? Ou é daqueles que estudou na graduação para “passar” e agora precisa revisitar tudo, desta vez com maturidade? Para o candidato a professor da rede federal há uma exigência de que você trate sua área com respeito técnico. E não se engane: quem passa, via de regra, não é o gênio. É o profissional que estudou com método, recortou o edital, revisou os conteúdos centrais e aprendeu a se testar. Não existe milagre, mas existe estratégia: priorizar o essencial, revisar o intermediário e aceitar que alguns temas mais raros só valem um olhar rápido. Você não tem tempo para se tornar especialista em tudo; tem tempo para se tornar competente no que importa.



Qual sinal a banca está passando quando a Prova Escrita é Discursiva

Quando a prova escrita é discursiva, isso costuma sinalizar algo importante: o Instituto, CEFET ou Universidade Tecnológica está buscando um perfil de professor-pesquisador com maior possibilidade de atuação no nível superior e na educação tecnológica. Não é apenas uma escolha pedagógica; é uma escolha estratégica da instituição. A comissão interna já sabe onde estão os gargalos de ensino e pesquisa e orienta a banca para testar profundidade, não amplitude genérica.

 

Nesses casos, a prova deixa de ser um passeio por todos os conteúdos clássicos da área e passa a trabalhar com recortes. Você pode estar concorrendo como biólogo, mas ser avaliado com foco em Genética. Pode disputar uma vaga como administrador, mas encontrar uma prova centrada em Finanças, Custos ou Orçamento, sem que o edital exija formalmente um contador. A discursiva permite isso: direcionar o conteúdo para disciplinas específicas que estão descobertas no campus.

 

É por isso que muita gente erra feio ao estudar apenas “o que sempre caiu” ou “o que todo mundo estuda”. A prova discursiva não quer saber se você decorou um manual inteiro; ela quer saber se você consegue desenvolver um tema com densidade, coerência e domínio técnico suficiente para sustentar uma disciplina real. No fundo, a banca está perguntando em silêncio: se eu te colocar em sala amanhã, você dá conta desse conteúdo?

 

Esse tipo de prova favorece quem entende sua própria trajetória formativa. Quem sabe onde é forte, onde é intermediário e onde precisa reforçar. Não é sobre improvisar erudição; é sobre assumir um recorte e dominá-lo. Quando você entende isso, estudar deixa de ser ansiedade difusa e vira projeto: você passa a estudar para ocupar uma lacuna concreta da instituição.



Entre o pesquisador e o concurseiro: a prova escrita não mede quem você é, mas se você pode entrar no jogo

Se você já é pesquisador, já passou por um mestrado ou doutorado, tem linhas de pesquisa bem definidas e vive mergulhado em problemas sofisticados da sua área, eu preciso te fazer um aviso honesto, e talvez um pedido de desculpas em nome da rede federal. Se cair uma prova escrita objetiva, de marcar alternativas, a sensação inicial pode ser de frustração profunda. Você vai olhar para aquelas questões e pensar que todo o seu cabedal teórico, metodológico e analítico não serve para nada ali.


E, em parte, essa sensação é compreensível. Não porque seu conhecimento seja inútil, mas porque a prova não está te pedindo pensamento de fronteira; ela está te pedindo domínio do conteúdo que você vai ensinar a iniciantes. O que está sendo avaliado não é sua capacidade de produzir conhecimento novo, mas sua capacidade de sustentar as bases da área com segurança, clareza e precisão. É um deslocamento duro para quem vive no nível avançado, mas é um deslocamento coerente com a missão institucional. Ensinar bem o básico não é menos nobre do que pesquisar o avançado; é apenas outro tipo de excelência.


É exatamente por isso que, nesta fase, o jovem concurseiro encontra sua porta de entrada no jogo. A prova escrita objetiva nivela o campo momentaneamente e permite que quem ainda não tem um currículo robusto dispute em condições reais, desde que estude com método e profundidade suficiente. Para o candidato que já é acadêmico, o desafio é outro: aceitar esse rebaixamento provisório do foco e atravessar a etapa com humildade estratégica. Não é aqui que você vai mostrar todo o seu diferencial. É aqui que você garante presença. O seu acervo de distinção competitiva: pesquisa, experiência docente, trajetória profissional, publicações; entra em cena nas fases seguintes. A escrita abre a porta; os títulos e a didática mostram quem você realmente é.


 

E por que a prova escrita não é tudo?

Porque ela mede apenas o que você sabe e não como você ensina, não como você se apresenta, não como você estrutura uma aula. Ela te coloca dentro do jogo, mas não te leva até o final. É a sua base técnica, não o seu cartão de visitas. A banca quer ver se você pensa. A banca quer ver se você tem clareza. A banca quer ver se você consegue organizar ideias em 80 linhas sem entrar em pânico. A banca quer ver se você tem condições reais de virar docente. Mas ela sabe que a escrita é só um dos sinais. Por isso, a prova didática também está lá logo após. E por isso também, que a prova de títulos existe. É um triângulo. Você precisa das três faces.

 

Aqui entra um detalhe que muita gente esquece: quem presta concurso para professor federal costuma ser bom no que faz ou ser bom naquilo que estudou. Você não está disputando com curiosos. Está disputando com gente que estuda a sua área há anos. Engenheiros, químicos, biólogos, administradores, contadores, informatas, pedagogos… todos com recortes de conhecimento muito específicos. A concorrência não é numerosa como em concursos generalistas; ela é qualificada. Você não enfrenta mil pessoas: enfrenta cinquenta muito competentes. E é por isso que estudar certo vale mais que estudar muito.

 

Ao longo desta trilha, vamos falar da legislação, da rotina de estudo, da prova de títulos e da prova didática. A fase objetiva é só a base. Ela abre a porta. Mas quem entra passa pelas outras duas câmaras, e é ali que o jogo se decide. A escrita não te garante vaga, mas a falta dela te tira do jogo na largada.

 

Se algo aqui te provocou, leia o próximo texto com atenção. A prova escrita é a parte mais solitária é você, seu conteúdo e sua maturidade profissional. Mas é também a parte mais tranquila de aprender. No fundo, tudo começa com uma pergunta simples: você está disposto a estudar sua própria área melhor do que estudou na faculdade?

 

Se a resposta for sim, continue caminhando. Eu estou aqui para te ajudar a enxergar o caminho inteiro.






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Wagner Soares de Lima é professor, pesquisador e autor com trajetória transdisciplinar nas áreas de administração, segurança pública, subjetividade e educação. Já atuou como oficial da Polícia Militar, técnico em segurança universitária e hoje leciona no Instituto Federal de Rondônia.

 

Sua escrita mistura experiência de vida com pensamento crítico e sensível, transitando entre ensaio, autobiografia, espiritualidade e psicologia. Seus livros exploram temas como vocação, dor emocional, sentido de vida e os impactos humanos das instituições, sempre com o propósito de despertar consciências, curar histórias e reencantar trajetórias.

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