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Wagner Soares de Lima

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Reflexões sobre trabalho, vocação, instituições, afetos e as travessias invisíveis que moldam quem somos. Aqui, escrevo com escuta, compartilho ideias com alma e transformo vivências em pensamento — para quem busca sentido, recomeço ou apenas companhia lúcida no caminho.

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Como se tornar professor de Instituto Federal: o que ninguém lhe explica antes do concurso

  • Foto do escritor: Wagner Soares de Lima
    Wagner Soares de Lima
  • 6 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

 

Este é o Texto 01 da Trilha 1 - O caminho da aprovação para o concurso de professor de Instituto Federal [Voltar ao Índice da Trilha]

 

Se você leu o texto inaugural, já entendeu que concurso para Instituto Federal não funciona como concurso tradicional. Aqui, o jogo não é “acertar 40 questões” e esperar Deus tocar o gabarito. O concurso EBTT é uma arquitetura própria, com três engrenagens que se equilibram entre si. É por isso que tanta gente experiente em concursos tradicionais quebra a cara quando chega nesse universo. Eles estudam como se estivessem indo para um TRE, um INSS, um MPU, mas a estrutura do concurso do Magistério Federal se personifica e te responde com um “querido, não é assim que funciona”.

 

Aqui eu vou me dedicar mais ao professor da carreira dos Institutos Federais, mas no contexto geral, o que vou mostrar também se aplica ao professor de Universidades Federais.

 

A primeira engrenagem é a prova escrita. Ela pode ser objetiva ou discursiva. Ela usa a Objetiva quando a banca quer rapidez, volume e triagem: muito candidato, é preciso passar a peneira. E usa a Discursiva quando a banca quer sentir o cheiro da sua formação, quando estão mais interessados em sua linha de pesquisa ou em professor do Ensino Superior. Para as Universidades Federais a discursiva é a regra, para os Institutos a objetiva é a mais comum.

 

No fundo, depende do Instituto, da área e do humor acadêmico daquele ano. A escrita vale muito, claro, mas é só uma parte do quebra-cabeça. Ao contrário da universidade federal, onde a prova escrita costuma ser um funil brutal, no EBTT ela é o começo e não o fim.

 

A segunda engrenagem é a prova de títulos. É aqui que a vida pregressa vira pontuação. A banca olha suas pós-graduações, suas horas de docência, suas experiências profissionais, suas publicações, suas participações em eventos, seus cursos, seus certificados, seus estágios supervisionados.

 

Existe um barema, um quadro de pontos, que varia de Instituto para Instituto. Alguns valorizam muito quem já está no chão da sala de aula. Outros valorizam carga horária profissional na área técnica. Outros são movidos a publicações científicas. E há sempre uma surpresa: o dia em que a pessoa com dois mestrados perde para a pessoa que deu aula dez anos no ensino médio. É o jogo. Por isso eu vou detalhar isso nos próximos textos dessa série. Neles vou destrinchar como ler o barema com atenção de relojoeiro.

 

A terceira engrenagem é a prova didática. É a famosa demonstração na prática de uma aula. Não é um teatro improvisado, nem um “vou falar o que sei”. É técnica. É método. É tempo cronometrado. É uma sequência pedagógica que mostra clareza, domínio e respeito ao nível exigido.

 

E aqui vem o golpe mais duro para quem nunca passou por isso: a prova didática reprova. E reprova mesmo, ou melhor, faz sua colocação despencar ou você virar o jogo. O melhor conteúdo do mundo não salva uma aula mal estruturada. Plano de aula entregue fora do padrão, metodologia mal encaixada, falta de domínio do tempo, postura insegura… tudo isso pesa.

 

E há outro detalhe: antes da aula, existe o plano de aula. E esse plano costuma ser entregue por sistema ou por e-mail antes da prova. Muita gente estuda o tema, prepara slide, ensaia frente ao espelho, mas perde ponto no que veio antes: o documento que mostra sua intencionalidade docente. É aqui que o bacharel fica vulnerável. Licenciados e pedagogos nadam de braçada porque vivem disso. Mas o bacharel pode aprender: eu sou a prova viva. Fica comigo que eu ainda vou explicar como planejar uma aula EBTT sem entrar em desespero.

 

Essa arquitetura de três provas é o que torna o concurso docente mais justo para quem tem prática, mais acolhedor para quem está em formação e mais exigente para quem acha que basta ser “profissional da área”. Não basta. É preciso estudar sua área, estudar a legislação da educação, estudar o edital, estudar você mesmo. É por isso que digo que o concurso começa muito antes da prova. Quem passa é o candidato que entendeu o jogo inteiro, não só a primeira fase.

 

E aqui entra um ponto que ninguém comenta, mas que eu preciso te dizer logo: o EBTT é uma carreira que te exige estudo contínuo. Durante o concurso, durante o estágio probatório, durante os anos seguintes. A legislação muda, os cursos mudam, os projetos mudam, os alunos mudam.

 

É uma carreira que pede musculatura de estudo. É por isso que, ao longo desta série, vamos falar não só das provas, mas também das rotinas de estudo e do preparo emocional. Como diz uma velha piada interna: “quer ter estabilidade? Aprenda a estudar para sempre.”

 

Nos próximos textos desta trilha você vai ver cada prova em detalhes:— como estudar para a prova escrita sem cair em material inútil— como transformar sua vida inteira em pontuação válida— como planejar e executar uma prova didática digna

 

E na nossa outra trilha você vai encontrar o que ninguém explica por aí: RSC, DINTER, MINTER, interiorização, progressão na carreira, aposentadoria especial da educação básica para quem manteve turma do ensino médio e até o topo da carreira com o professor titular. Tudo isso existe, tudo isso afeta sua vida, e tudo isso faz parte da arquitetura real do EBTT.

 

Meu propósito aqui é te ajudar a entender esse universo com clareza. Se algo aqui acendeu uma luz em você, acompanhe o próximo texto. E se alguma dúvida surgir, comente: às vezes a melhor pergunta abre o melhor caminho.




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Wagner Soares de Lima

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Wagner Soares de Lima é professor, pesquisador e autor com trajetória transdisciplinar nas áreas de administração, segurança pública, subjetividade e educação. Já atuou como oficial da Polícia Militar, técnico em segurança universitária e hoje leciona no Instituto Federal de Rondônia.

 

Sua escrita mistura experiência de vida com pensamento crítico e sensível, transitando entre ensaio, autobiografia, espiritualidade e psicologia. Seus livros exploram temas como vocação, dor emocional, sentido de vida e os impactos humanos das instituições, sempre com o propósito de despertar consciências, curar histórias e reencantar trajetórias.

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