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Wagner Soares de Lima

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Reflexões sobre trabalho, vocação, instituições, afetos e as travessias invisíveis que moldam quem somos. Aqui, escrevo com escuta, compartilho ideias com alma e transformo vivências em pensamento — para quem busca sentido, recomeço ou apenas companhia lúcida no caminho.

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Segurança da Educação: três conversas para construir uma mesma ponte

  • Foto do escritor: Wagner Soares de Lima
    Wagner Soares de Lima
  • há 22 horas
  • 4 min de leitura

Educação e Segurança precisam aprender a se compreender antes de conseguirem proteger juntas


Por Wagner Soares de Lima Professor do Instituto Federal de Rondônia.

Mestre em Ecologia Humana. Graduado em Administração e Segurança Pública.

Foi Oficial da Polícia Militar de Alagoas e integrante da Segurança da UFPE.




Há um problema curioso quando profissionais da Educação e da Segurança começam a conversar sobre proteção de escolas, universidades e outros ambientes educacionais.


Em muitos casos, eles querem proteger as mesmas pessoas, mas partem de paradigmas diferentes.

Quem vem da Segurança tende a pensar em ameaças, vulnerabilidades, riscos, barreiras, detecção, resposta e continuidade. Quem vem da Educação tende a pensar em aprendizagem, desenvolvimento, direitos, pertencimento, inclusão, autonomia, cuidado e convivência. Nenhuma dessas perspectivas é suficiente sozinha.


E talvez boa parte das dificuldades que encontramos para construir políticas consistentes de segurança em ambientes educacionais resulte justamente de tentarmos fazer uma dessas linguagens dominar a outra.

É desse problema que nasce a ideia de Segurança da Educação que venho desenvolvendo.

Não como simples aplicação das técnicas de segurança ao ambiente escolar. E também não como tentativa de resolver problemas reais de proteção apenas a partir da pedagogia. A proposta é construir um campo de encontro.


Uma ponte precisa ser construída nos dois sentidos

Tenho organizado essa discussão em três textos. Cada um começa de um lugar diferente. Você não precisa necessariamente lê-los na ordem em que foram publicados. Pode começar justamente pelo texto que mais se aproxima do lugar profissional ou intelectual de onde você está olhando o problema.


Segurança da Educação: por que proteger não é controlar

Este foi o ponto de partida. Nele, converso principalmente com educadores, gestores e profissionais das instituições de ensino.


A tese é que a Educação precisa assumir intelectualmente a responsabilidade por sua própria proteção.

Isso não significa prescindir de policiais, profissionais de segurança, engenheiros, arquitetos, especialistas em tecnologia, profissionais de saúde ou outros conhecimentos especializados.

Significa que a missão educacional precisa orientar a maneira como essas competências são articuladas.

Uma escola não é um shopping.

Uma universidade não é uma fábrica.

Por isso, sua segurança não pode ser simplesmente importada de outros setores.

 

Se sua pergunta é:

“Como proteger uma instituição sem transformar segurança em controle da experiência educacional?”

comece por este texto.

 

→ Leia: Segurança da Educação: por que proteger não é controlar

Profissional de Security: Safety ainda não basta para entrar na Educação

O segundo texto faz o movimento contrário.

Ele parte do reconhecimento de que profissionais de Security possuem competências que a Educação efetivamente necessita.

·       Análise de ameaças.

·       Gestão de riscos.

·       Controle de acesso.

·       Videomonitoramento.

·       Inteligência.

·       Segurança física.

·       Planejamento de emergências.

·       Detecção e resposta.

·       O problema não está nessas competências.

 

Está em imaginar que elas podem entrar no ambiente educacional sem aprender a dialogar com sua cultura. Minha provocação nesse artigo é que, além de Security e Safety, quem pretende trabalhar seriamente com proteção educacional precisa incorporar duas outras dimensões: Care e Safeguarding.

Em nossa linguagem, poderíamos pensar essa articulação principalmente como Segurança, Proteção e Cuidado. Porque o profissional tecnicamente competente também precisa compreender pertencimento, escuta, direitos, relações, confiança, desenvolvimento e proteção integral.

 

Se sua pergunta é:

“Por que algumas soluções tecnicamente corretas encontram tanta resistência dentro da Educação?”

este provavelmente é o seu ponto de entrada.

 

→ Leia: Profissional de Security: Safety ainda não basta para entrar na Educação

Educador, proteção robusta não é autoritarismo

O terceiro texto completa a ponte no sentido inverso.

Se profissionais de Segurança precisam aprender a linguagem da Educação, educadores também precisam desenvolver alguma alfabetização em Security. Cultura de paz não elimina ameaças. Acolhimento não substitui controle de acesso quando ele é necessário. Pertencimento não torna impossível uma invasão. Diálogo não constitui resposta suficiente para todos os tipos de violência.

E reconhecer essas situações não transforma uma instituição educacional em ambiente autoritário.

Esse texto é dirigido especialmente aos diretores escolares, gestores de redes de ensino, secretarias de Educação, diretorias sistêmicas, pró-reitorias e reitorias.

São essas estruturas que frequentemente precisam construir a mediação entre especialistas em segurança e comunidades pedagógicas comprometidas com direitos, participação, autonomia e uma concepção humanista da Educação.

 

A questão passa a ser:

como construir proteção tecnicamente robusta sem abandonar os valores educacionais que justificam a própria proteção? Se esse é o seu problema, comece aqui.

 

→ Leia: Educador, proteção robusta não é autoritarismo

 


 

Afinal, quem está certo?

Talvez essa seja a pergunta errada.

 

  1. O profissional de Segurança está correto ao afirmar que existem ameaças que exigem conhecimento especializado.

  2. O educador está correto ao lembrar que uma instituição educacional não pode transformar permanentemente seus estudantes em objetos de vigilância e suspeição.

  3. O gestor está correto ao perceber que, no cotidiano, precisará fazer essas duas racionalidades funcionarem juntas.

 

Por isso tenho trabalhado com uma formulação baseada em três grandes ideias:

Segurança. Proteção. Cuidado.


  1. Segurança para lidar tecnicamente com ameaças, riscos e situações que exigem capacidade de prevenção, detecção e resposta.

  2. Proteção para organizar institucionalmente direitos, vulnerabilidades, prevenção de danos e responsabilidades.

  3. Cuidado para preservar aquilo que torna a Educação uma relação humana: confiança, pertencimento, acolhimento, desenvolvimento e possibilidade de pedir ajuda.


Em contextos específicos, Vigilância e Defesa também serão necessárias.

Mas elas devem permanecer como funções determinadas dentro do sistema de segurança, e não como princípios organizadores da experiência pedagógica cotidiana.


Se você já leu um dos textos...

Leia o próximo a partir do lugar que ele questiona. Se você começou pelo artigo dirigido à Educação, veja agora o que estou pedindo aos profissionais de Segurança. Se veio do Security, leia o que considero que os educadores também precisam aprender sobre o seu campo.


E, se você ocupa uma posição de gestão, talvez valha a pena ler os três. Porque é justamente sobre sua mesa que essas diferentes racionalidades provavelmente acabarão se encontrando.

 

Segurança da Educação nasce nesse encontro

Minha hipótese é que não precisamos escolher entre uma segurança tecnicamente competente e uma Educação humanizada.


Precisamos aprender a construir instituições que consigam fazer as duas coisas simultaneamente.

·       Isso exige especialistas.

·       Exige educadores.

·       Exige gestores.

·       Exige tecnologia.

·       Exige direitos.

·       Exige análise de riscos.

·       Exige cuidado.

·       E, sobretudo, exige uma nova capacidade de articulação.

 

A Segurança precisa compreender melhor aquilo que a Educação quer preservar.

A Educação precisa compreender melhor as competências necessárias para protegê-lo.


É nesse espaço entre as duas que começo a enxergar um campo próprio: a Segurança da Educação.

 

 
 
 

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Wagner Soares de Lima

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Wagner Soares de Lima é professor, pesquisador e autor com trajetória transdisciplinar nas áreas de administração, segurança pública, subjetividade e educação. Já atuou como oficial da Polícia Militar, técnico em segurança universitária e hoje leciona no Instituto Federal de Rondônia.

 

Sua escrita mistura experiência de vida com pensamento crítico e sensível, transitando entre ensaio, autobiografia, espiritualidade e psicologia. Seus livros exploram temas como vocação, dor emocional, sentido de vida e os impactos humanos das instituições, sempre com o propósito de despertar consciências, curar histórias e reencantar trajetórias.

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